O mercado de bebidas não alcoólicas pede planejamento por ocasião de consumo, e não versões zero tratadas como substitutas da linha principal. A categoria tem valor estimado em R$ 137 bilhões, segundo o madeinms.com.br. O setor lê o crescimento como ampliação de repertório, não como troca, de acordo com o Meio & Mensagem.
Abaixo estão os números da categoria, quem os publicou e o que muda em verba, canal e posicionamento.
Bebidas não alcoólicas no Brasil somam R$ 137 bilhões e seguem em alta
O mercado brasileiro de bebidas não alcoólicas tem valor estimado em R$ 137 bilhões e ocupava em 2025 a 6ª posição entre os maiores consumidores globais, segundo o madeinms.com.br.
A projeção de volume vem da IWSR: o segmento de bebidas sem álcool deve crescer, em média, 10% ao ano em volume no Brasil até 2028, conforme publicou o portalin.com.br.
O número de 10% é projeção, não resultado. Mesmo assim, uma categoria desse tamanho com alta prevista em volume deixa de ser aposta de nicho e entra no plano de marketing do ano.
Para quem decide orçamento, a pergunta não é se a categoria existe. A pergunta é quanto do orçamento de marketing ela justifica frente à linha principal.
Águas envasadas e funcionais puxam as vendas da categoria
Um estudo setorial publicado em 2026 pelo Banco do Nordeste indica que águas envasadas e bebidas funcionais são as categorias que vêm favorecendo as vendas entre as não alcoólicas, segundo o bhbfood.com.
Para as funcionais, o mesmo levantamento projeta crescimento de 57,4% no volume vendido até 2029.
As bebidas funcionais são o ponto de partida para revisar portfólio e posicionamento. Quem vende hidratação, energia ou bem-estar precisa decidir se a promessa cabe na marca principal ou pede outra marca.
O canal entra na mesma decisão. Uma bebida funcional disputa gôndola, mas também ocasiões ligadas a saúde, e o raciocínio do canal farmácia como ponto de saúde ajuda a mapear onde essa compra acontece.
Repertório de consumo: o consumidor alterna bebidas ao longo do dia
Cervejas zero, RTDs com menor teor alcoólico e bebidas energéticas cresceram, juntas, 19,2% em volume entre 2024 e 2025, segundo a Nielsen, em dado publicado pelo Meio & Mensagem.
O setor lê esse avanço como ampliação do repertório de consumo, e não como substituição da cerveja tradicional.
Márcio Maciel, presidente-executivo do Sindicerv, diz que a cerveja zero álcool permite "participar com liberdade para alternar escolhas ao longo do dia", segundo o Meio & Mensagem.
Os motivos de consumo também variam. A popularidade das não alcoólicas vem de fatores que vão de preocupações com saúde a questões religiosas, segundo o madeinms.com.br.
A consequência para a marca é direta: ela disputa ocasiões e motivos diferentes, e uma comunicação só de saúde não cobre todos.
| Leitura do mercado | Papel da versão zero ou funcional | Efeito na verba |
|---|---|---|
| Substituição | Sucessora da linha principal | Tira investimento do líder |
| Repertório | Entrada em outra ocasião do dia | Verba própria, com meta própria |
Onde marcas de bebida consolidadas erram com a onda de saúde
Marcas de bebida consolidadas erram quando se desesperam antes da hora. Quando eu olho para o mercado de bebidas alcoólicas no Brasil, é inevitável ver o crescimento das opções sem álcool.
Esse mercado ainda não está nem perto de ser abalado pela presença das cervejas zero ou de outras opções. Essas opções, porém, estão crescendo muito: há mercado, há interesse e há consumidor interessado nelas.
No marketing de produtos extremamente consolidados, eu vejo dois cuidados:
- Não desesperar antes da hora, perdendo a chance de trabalhar de maneira correta os produtos que são líderes e estáveis no mercado.
- Entender que a nova demanda pode ser uma oportunidade de negócio para um versionamento do produto principal, ou um novo segmento inteiro a ser explorado, aumentando a receita total.
Com produtos líderes, dá para criar outras versões ou outras marcas que atuam como margem de guerrilha, protegendo o mercado e gerando receita como um todo.
As bebidas não alcoólicas crescem, mas as bebidas alcoólicas ainda são uma indústria muito forte. Nós, como marqueteiros, temos que entender qual é a hora de investir e apostar em surfar uma onda nova.
Cada um toma essa decisão com calma e com base nos dados de estudo de mercado que tem.
O que o gestor de marketing faz com esses números
O gestor de marketing que atua em bebidas tem uma decisão clara: planejar por ocasião de consumo. O primeiro passo é mapear em que momentos do dia a marca quer entrar e por qual motivo o consumidor escolhe a bebida naquele momento.
Com esse mapa, verba e canal deixam de ser divididos por produto e passam a ser divididos por ocasião. A linha principal mantém o investimento que sustenta a liderança, e a versão zero ou funcional ganha orçamento próprio, com meta própria.
As funcionais merecem prioridade nessa revisão, porque o estudo do Banco do Nordeste projeta alta de 57,4% no volume até 2029, segundo o bhbfood.com. Cervejas zero, RTDs e energéticos, com 19,2% de crescimento conjunto em volume entre 2024 e 2025 segundo a Nielsen, reforçam a leitura do setor de que o consumidor amplia o repertório (Meio & Mensagem).
O briefing da agência precisa nascer desse mapa: ocasiões, motivos e papel de cada produto no portfólio. Antes de aprovar o plano, confira se a agência sabe responder a essas perguntas, critério que entra em como escolher uma agência de publicidade.
Perguntas frequentes
Quanto vale o mercado de bebidas não alcoólicas no Brasil?
O mercado brasileiro de bebidas não alcoólicas tem valor estimado em R$ 137 bilhões, segundo o madeinms.com.br. Em 2025, o Brasil ocupava a 6ª posição entre os maiores consumidores globais dessas bebidas.
Quanto o mercado de bebidas sem álcool vai crescer no Brasil?
Segundo dados da IWSR, o segmento de bebidas sem álcool deve crescer, em média, 10% ao ano em volume no Brasil até 2028. O número é uma projeção, não um resultado já medido.
Quais bebidas não alcoólicas mais crescem no Brasil?
Um estudo setorial do Banco do Nordeste, publicado em 2026, aponta águas envasadas e bebidas funcionais como as categorias que favorecem as vendas. Para as funcionais, a projeção é de crescimento de 57,4% no volume vendido até 2029. Segundo a Nielsen, cervejas zero, RTDs com menor teor alcoólico e energéticos cresceram, juntos, 19,2% em volume entre 2024 e 2025.
A cerveja zero substitui a cerveja tradicional?
Segundo o setor, o crescimento de cervejas zero, RTDs com menor teor alcoólico e energéticos não é de substituição da cerveja tradicional. O movimento é de ampliação do repertório de consumo, com o consumidor alternando escolhas ao longo do dia.
Como planejar o marketing de uma bebida funcional?
O planejamento parte das ocasiões de consumo e dos motivos de escolha, que vão de saúde a questões religiosas. Verba e canal são divididos por ocasião, e a versão funcional ganha orçamento e meta próprios, sem tirar investimento da linha principal.
