IA no carrinho pode, foto inventada não: onde pôr a verba de marketing

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Frasco de skincare ao lado de um celular que exibe o contorno abstrato de um scanner facial, sobre superfície neutra em tons de índigo e branco.
Neste artigo

O consumidor aceita IA que o ajuda a decidir a compra e pune IA que maquia o produto. A verba de marketing precisa sair do enfeite gerado por IA e ir para ferramenta de escolha e para prova de resultado.

Anúncio com IA que engana custa a venda?

Anúncio com IA que engana custa a venda. 87% das conversas analisadas pela Buzzmonitor criticam empresas que usam IA para criar anúncios e imagens de produtos, segundo o Meio & Mensagem.

O levantamento olhou 68 mil publicações, de 1º a 7 de outubro. Todas citavam IA ou assistentes e traziam o vocabulário de quem está comprando: compra, avaliação, review.

Os usuários chamam a prática de enganação. Dizem desistir da compra ao identificá-la.

O levantamento cita roupas e alimentos, não beleza. A lógica, porém, é a mesma: produto de pele e cabelo se vende pela promessa de resultado, e imagem fabricada ataca essa promessa de frente.

Cortar custo de produção com imagem gerada por IA parece economia. Na conta do gestor, o risco é perder a venda no momento em que o cliente percebe o artifício.

Consumidor confia na IA que ele mesmo confere?

O consumidor confia só enquanto a resposta se sustenta. Entre os compradores online dos EUA que usam IA para pesquisar produtos e verificam as respostas, 89,9% já encontraram erros pelo menos uma vez, segundo a Product.ai.

Desses, 60,3% mudaram de rumo na última vez que o erro apareceu. Uns abandonaram a compra, outros trocaram de produto. Teve até quem deixou de usar IA naquela categoria.

A base é de compradores dos EUA que checam a IA, não do consumidor brasileiro em geral. Mesmo assim, o recado vale para a marca: quem confere encontra a falha, e a conversão paga por isso.

IA para escolher: o que a Simple fez com o scanner facial

Um uso de IA que o consumidor aceita? A Simple tem um. Segundo o Cosmetics Online, a marca lançou a Skin AI, ferramenta criada pela equipe de pesquisa e desenvolvimento da metaKosmos/PulpoAR, junto com o marketing, o desenvolvimento de produto e os dermatologistas da própria Simple.

A ferramenta analisa a pele em poucos minutos a partir da imagem do rosto. O cliente responde a um questionário, passa por um scanner facial e recebe recomendação de produtos e de rotinas personalizadas.

Aqui a IA ajuda o cliente a decidir. O produto continua aparecendo como ele é.

Marketing e dermatologistas participaram do desenvolvimento, então a ferramenta nasceu com gente que entende de pele.

Prova de resultado: por que o skincare vai para dado e ciência

A prova de resultado é o que o anúncio bonito não entrega. Levantamento da Mintel aponta consumidores cada vez mais atentos à eficiência dos produtos, à qualidade dos ingredientes e à credibilidade científica.

A alta exigência por eficácia e o avanço do K-Beauty (beleza coreana) no Brasil puxam essa tendência. Por isso, marcas brasileiras usam também no cuidado com o corpo, de axilas a cotovelos, ingredientes já conhecidos e com respaldo de dermatologistas.

Para o gestor, a leitura é direta: o cliente de beleza quer evidência, e imagem gerada por IA não é evidência.

Um caminho é a prova vir de gente real. Segundo o Meio & Mensagem, a Beleza na Web promoveu em abril o primeiro encontro do Testei Primeiro BLZ, comunidade para conhecer e experimentar lançamentos e produtos do portfólio do e-commerce. Participam consumidores, criadores de conteúdo e gente do programa de afiliados da loja.

A motivação da plataforma, segundo a reportagem, é dar mais pluralidade às opiniões e criar senso de pertencimento com os consumidores.

O material não traz números de resultado. Serve de exemplo de caminho, e não de prova de retorno.

O que fazer com isso

O gestor de marketing de beleza deve levar duas perguntas ao planejamento e rever a verba a partir delas.

  1. Sua IA ajuda o cliente a decidir ou só enfeita o anúncio?
  2. Que prova de resultado mensurável a marca mostra que o filtro não esconde?
Linha de verbaDecisão
Diagnóstico de pele, recomendação de rotina, busca assistidaEntra, porque ajuda o cliente a escolher
Imagem de produto gerada por IA só para cortar custoSai, porque os dados mostram crítica e desistência
Comunidade e teste com consumidoresEntra, porque gera prova que o cliente confere
Deslize para ver a tabela completa →

Para organizar essa conversa, comece pelo plano de marketing. Depois, a revisão do orçamento de marketing mostra quanto cada linha rende.

Se a agência cuida da produção de criativo, aplique a mesma régua nela. Pergunte onde ela usa IA e que prova entrega, como no roteiro de como escolher uma agência de publicidade.

A decisão concreta: tire a verba do enfeite gerado por IA e mova para a ferramenta que ajuda a escolher e para a prova de resultado que o consumidor consegue conferir.

Perguntas frequentes

Consumidor desiste da compra quando descobre que o anúncio foi feito com IA?

Segundo levantamento da Buzzmonitor com 68 mil publicações, 87% das conversas criticam o uso de IA para criar anúncios e imagens de produtos. Os usuários chamam a prática de enganação e dizem desistir da compra ao identificá-la.

Como usar IA no e-commerce de beleza sem perder a confiança do cliente?

Use a IA para ajudar o cliente a escolher, não para maquiar o produto. Entre compradores dos EUA que checam a IA, 89,9% já viram erro e 60,3% mudaram de rumo na última vez. A marca precisa aceitar ser conferida.

Vale a pena ter uma ferramenta de diagnóstico de pele com IA em uma marca de beleza?

Vale quando ela ajuda o cliente a decidir. A Simple lançou a Skin AI, que analisa a pele em poucos minutos: o cliente responde a um questionário, passa por um scanner facial e recebe recomendação de produtos e rotinas. Os dermatologistas da própria marca participaram do desenvolvimento.

Como provar a eficácia de um produto de skincare no marketing?

Mostre prova que o cliente consiga conferir, como teste com consumidores de verdade. A Beleza na Web criou a comunidade Testei Primeiro BLZ, onde consumidores e criadores experimentam lançamentos, e diz que quer opiniões mais plurais. O material não traz números de resultado, então a marca deve medir o próprio teste.

Bruno Lobo Pinheiro

Bruno Lobo Pinheiro é fundador da Shaper, consultoria de inteligência estratégica para agências e departamentos de marketing e comunicação. Tem 16 anos de mercado e atuou como Head de Estratégia na LOLA/TBWA, com passagens pelas agências Lew'Lara, Dentsu e Isobar, atendendo contas como Samsung, Nivea, Banco do Brasil, Azul Linhas Aéreas e KFC. Foi premiado em festivais internacionais como Cannes Lions, Effie Awards, Clio e El Ojo de Iberoamérica.

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