Canal farmácia: o que muda para as marcas quando a farmácia vira ponto de saúde

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Mãos usando um tablet num balcão branco de farmácia, com prateleiras iluminadas em índigo ao fundo
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O canal farmácia deixou de ser só o lugar onde a indústria vende: hoje a farmácia atende, faz campanha com marca própria e virou alvo de quem nunca vendeu remédio.

Para quem decide o plano de uma marca de saúde, beleza ou bem-estar, isso muda três coisas: o motivo da visita, quem divide a gôndola com você e quem mais quer o mesmo balcão.

Quanto o canal farmácia já cresceu como ponto de saúde

O varejo farmacêutico brasileiro fez mais de 5,6 milhões de serviços de saúde e 3,4 milhões de atendimentos no primeiro semestre de 2025.

Foram 12 mil estabelecimentos em cerca de 1.500 municípios, com 126 tipos de serviço e crescimento de 13% sobre 2024, segundo levantamento publicado pelo Panorama Farmacêutico.

O dinheiro acompanha o movimento. A RD Saúde lucrou R$ 424,5 milhões no segundo trimestre de 2026, alta de 13,5% sobre o mesmo período de 2025, informou o Valor Econômico.

Em 2025, o clube das redes bilionárias chegou a 16 integrantes, uma a mais que no ano anterior, e elas movimentaram R$ 111 bilhões juntas, segundo o Panorama Farmacêutico.

Para o anunciante, a consequência é direta. A farmácia ganhou um motivo de visita que não depende de receita, e quem entra para um serviço de saúde passa pela gôndola.

Quem mais quer um lugar no balcão da farmácia

O Mercado Livre comprou a primeira farmácia dele no Brasil: a Target, nome fantasia da Cuidamos Farma, no Jabaquara, zona sul de São Paulo, segundo o InvestNews.

A Bolsa reagiu em setembro de 2025, antes de qualquer remédio ser vendido. As redes de drogarias listadas perderam R$ 2,3 bilhões em valor de mercado, R$ 2,1 bilhões só da Raia Drogasil, mostrou O Globo.

Mercado Livre e aplicativos de entrega disputam o mesmo balcão:

EmpresaMovimentoFonte
Mercado LivreComprou uma farmácia física em São PauloInvestNews
iFoodMercado, farmácia e pet cresceram 50% em pedidos e faturamento em 2024Meio & Mensagem
99Testa a 99Compras em Goiânia, com supermercado, farmácia e pet shopExame
Deslize para ver a tabela completa →

O iFood passou a se apresentar como plataforma de conveniência multicategoria, com a assinatura "iFood é Tudo Pra Mim", conta o Meio & Mensagem.

Para a indústria, o balcão da farmácia deixou de ser um lugar só. Ele está na loja, no aplicativo de entrega e no marketplace.

A farmácia também virou marca

A Needs, marca própria da RD Saúde, lançou uma campanha de verão com mais de 80 influenciadores para falar de proteção solar diária, entre eles Claudia Raia, Cleo e Pocah. A criação foi da McCann, segundo a Abramark.

A marca própria de farmácia não é mais a versão barata na prateleira de baixo. Ela tem agência, elenco e campanha nacional.

Eu já atendi empresas de farmácia, e a corrida é real. A indústria está se preparando para vender na farmácia muito mais do que o brasileiro está acostumado a encontrar ali.

O que o canal farmácia muda no plano de marketing

O plano de marketing de uma marca que vende em farmácia precisa responder a quatro perguntas novas. Se você está montando o do próximo ano, vale começar pelo nosso guia de como fazer um plano de marketing.

DecisãoPergunta para a próxima reunião
PosicionamentoO que o seu produto entrega que a marca própria da rede não consegue copiar?
Ponto de vendaQuem entra para um serviço de saúde encontra a sua marca no caminho até o caixa?
DistribuiçãoA sua marca está no balcão do aplicativo de entrega e do marketplace, ou só na loja física?
VerbaQual parte do investimento vai para a loja, para o aplicativo e para o marketplace?
Deslize para ver a tabela completa →

A pergunta de posicionamento é a mais urgente. Uma marca própria com campanha nacional disputa a mesma atenção que a sua, na mesma prateleira, com o varejista do lado dela.

A pergunta de verba fecha a conta. Dividir o investimento entre loja, aplicativo e marketplace pede um critério claro, e o artigo sobre quanto investir em marketing ajuda a montar essa conta.

O balcão da farmácia ainda está em disputa

O canal farmácia está mudando de função, e a mudança já aparece nos números de serviço, no lucro das redes e na reação da Bolsa à entrada do Mercado Livre.

A marca que trata a farmácia como mais um ponto de venda vai chegar atrasada. A que entende a farmácia como ponto de saúde, com marca própria concorrente e balcão em três lugares, ainda tem espaço para ocupar.

Perguntas frequentes

O que é o canal farmácia?

O canal farmácia é o conjunto de drogarias e redes onde a indústria de saúde, beleza e bem-estar vende os seus produtos. Hoje o canal também presta serviços de saúde: foram mais de 5,6 milhões no primeiro semestre de 2025, segundo o Panorama Farmacêutico.

O que aconteceu com as farmácias na Bolsa quando o Mercado Livre entrou no setor?

As redes de drogarias listadas perderam R$ 2,3 bilhões em valor de mercado depois que o Mercado Livre comprou a primeira farmácia dele no Brasil, segundo O Globo. A Raia Drogasil foi a mais afetada, com perda de R$ 2,1 bilhões.

Marca própria de farmácia concorre com a indústria?

Sim. A marca própria de farmácia divide a prateleira com os produtos da indústria e já faz campanha nacional: a Needs, da RD Saúde, reuniu mais de 80 influenciadores numa campanha de proteção solar, segundo a Abramark.

O iFood vende produtos de farmácia?

Sim. No iFood, as categorias de mercado, farmácia e pet cresceram 50% em pedidos e faturamento em 2024, segundo o Meio & Mensagem. A 99 também testa entrega de farmácia com a 99Compras, em Goiânia.

Bruno Lobo Pinheiro

Bruno Lobo Pinheiro é fundador da Shaper, consultoria de inteligência estratégica para agências e departamentos de marketing e comunicação. Tem 16 anos de mercado e atuou como Head de Estratégia na LOLA/TBWA, com passagens pelas agências Lew'Lara, Dentsu e Isobar, atendendo contas como Samsung, Nivea, Banco do Brasil, Azul Linhas Aéreas e KFC. Foi premiado em festivais internacionais como Cannes Lions, Effie Awards, Clio e El Ojo de Iberoamérica.

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