A ansiedade entre jovens já é demanda de planejamento: farmácia e plano de saúde devem tratar o ponto de contato que já têm como a primeira conversa, com protocolo de encaminhamento definido.
O artigo reúne os números que sustentam essa decisão e dois formatos de marca que já ocuparam o espaço.
Quantos brasileiros vivem com ansiedade, segundo a OMS
Segundo a OMS, o Brasil é o país mais ansioso do mundo, com 18,6 milhões de brasileiros em sofrimento psíquico, de acordo com a Folha de S.Paulo.
A Perfil Brasil traz outro recorte da mesma OMS: o Brasil lidera o ranking mundial de pessoas ansiosas, com 9,3% da população afetada.
A demanda também aparece fora dos dados clínicos. Em 2024, "ansiedade" foi escolhida a palavra do ano no Brasil, com 22% das menções, na pesquisa da CAUSE com o Instituto IDEIA e a PiniOn. O levantamento ouviu 1.538 brasileiros, em amostra representativa baseada no Censo 2022, segundo a Perfil Brasil.
No plano mundial, o G1 informa que dados da OMS indicam que o transtorno de ansiedade afeta mais de 300 milhões de pessoas, com crescimento alarmante entre adolescentes e jovens adultos. Esses dados são de 2019, pré-pandemia, e o próprio G1 observa que o número hoje deve ser muito maior.
O tema, portanto, deixou de ser nicho. Para um gestor de marketing de saúde, a pergunta saiu de "devemos falar disso?" e foi para "por onde a marca entra?".
O que a pesquisa da AlmapBBDO com a Netflix mostra sobre os jovens
A pesquisa do LAB Humanidades, da AlmapBBDO, em parceria com a Netflix, ouviu 2.800 pessoas em todo o país: 1.600 adolescentes de 13 a 17 anos e 1.200 adultos. A coleta foi feita entre julho de 2025 e fevereiro de 2026, segundo o JC.
Entre os adolescentes, 58% relatam crises de ansiedade ou pânico. Outros 78% já enfrentaram mudanças bruscas de humor.
A saúde mental é a área mais mal avaliada pelos jovens. Em planejamento, área mal avaliada é espaço aberto para a primeira marca que responder bem.
Por que a conversa sobre ansiedade não acontece em casa
A CEO do IDEIA, Cila Schulman, afirma que a ansiedade no Brasil de 2024 "não é apenas uma questão individual; ela está ligada a um contexto social mais amplo", conforme a Perfil Brasil.
A pesquisa da AlmapBBDO aponta uma das pressões desse contexto: 61% dos adolescentes afirmam que a pressão por sucesso gera ansiedade, segundo o JC.
Quando a ansiedade nasce da cobrança por desempenho, falar dela em casa significa admitir que não se está dando conta. O jovem procura, então, um canal que não o exponha.
A falta de um canal discreto para esse jovem é uma lacuna de marca. Quem tem um ponto de contato discreto, sem consultório e sem fila de espera, pode oferecer a primeira conversa.
Farmácia e plano de saúde já têm esse ponto de contato. O balcão que mede pressão e o aplicativo de benefícios são canais de saúde consolidados. O artigo sobre o canal farmácia para marcas detalha como as marcas se posicionam nesse espaço.
A primeira pergunta para a reunião de planejamento é: o balcão que já mede pressão pode receber a primeira conversa sobre ansiedade?
A segunda decide se a primeira funciona: que protocolo de encaminhamento a marca tem quando a conversa pede um profissional?
Medley e Anitta: dois formatos de primeira conversa
A Medley e a Anitta ocuparam o tema com formatos simples e sem consultório.
A Cássia, assistente virtual da Medley, oferece suporte emocional e informações sobre saúde mental pelo WhatsApp. Ela já auxiliou mais de 100 mil pessoas, com conteúdos educativos, dicas práticas e orientações para lidar com ansiedade, depressão e estresse, segundo o Meio e Mensagem.
A Vila Equilibrium acontece no show de Anitta no Parque Villa-Lobos, em São Paulo. A programação paralela é gratuita e reúne meditação, terapias integrativas, dança, música e arte antes da apresentação da cantora. Entre as opções estão meditação guiada com fones de ouvido, ioga dance, biodança e dança circular, de acordo com a Folha de S.Paulo.
| Formato | Onde acontece | O que entrega |
|---|---|---|
| Cássia (Medley) | Conteúdo educativo, dicas práticas e orientações sobre ansiedade, depressão e estresse | |
| Vila Equilibrium (Anitta) | Show, antes da apresentação | Meditação, terapias integrativas, dança, música e arte, com entrada gratuita |
O primeiro formato é individual e privado. O segundo é coletivo e presencial.
Os dois dispensam consultório, e é essa a lição de planejamento. A marca de saúde não precisa montar atendimento clínico para estar presente na primeira conversa.
O WhatsApp serve a quem prefere não ser visto pedindo ajuda. O evento serve a quem chega ao tema por bem-estar, sem rótulo de doença.
O que fazer com isso
O gestor de marketing de farmácia ou plano de saúde deve levar duas decisões à próxima reunião de planejamento.
A primeira é o canal da primeira conversa. Entre um assistente no WhatsApp e uma ação presencial, a escolha parte do ponto de contato que a marca já tem: balcão, aplicativo ou evento. O caminho de implantação está no guia de plano de marketing.
A segunda é o protocolo de encaminhamento. Sem ele, a marca abre uma conversa que não sabe concluir. O protocolo define quem recebe o jovem quando a conversa pede um profissional e para onde a marca o direciona.
A verba sai da conta de orçamento de marketing, por realocação e não por soma. A demanda está medida: 58% dos adolescentes relatam crises de ansiedade ou pânico, segundo o JC, e a saúde mental é a área que eles pior avaliam.
A ordem importa. Primeiro o protocolo, depois o canal, depois a comunicação. Marca que inverte essa sequência usa o tema como campanha, e o jovem percebe.
Perguntas frequentes
Quantos brasileiros têm ansiedade segundo a OMS?
Segundo a OMS, o Brasil tem 18,6 milhões de brasileiros em sofrimento psíquico, de acordo com a Folha de S.Paulo. Em outro recorte da OMS, publicado pela Perfil Brasil, 9,3% da população é afetada pela ansiedade.
O Brasil é mesmo o país mais ansioso do mundo?
Segundo a OMS, o Brasil lidera o ranking mundial de pessoas ansiosas, com 9,3% da população afetada, conforme a Perfil Brasil. A Folha de S.Paulo também cita a OMS ao apontar o país como o mais ansioso do mundo.
Quantos adolescentes brasileiros relatam crises de ansiedade?
Na pesquisa do LAB Humanidades, da AlmapBBDO com a Netflix, 58% dos adolescentes de 13 a 17 anos relatam crises de ansiedade ou pânico. A amostra de adolescentes teve 1.600 pessoas, e a coleta foi feita entre julho de 2025 e fevereiro de 2026.
Como uma marca de saúde pode falar sobre ansiedade sem se aproveitar do tema?
A marca deve começar pelo protocolo de encaminhamento e só depois escolher o canal e a comunicação. Medley e Anitta mostram formatos simples: a Cássia no WhatsApp, que já auxiliou mais de 100 mil pessoas, e a Vila Equilibrium, com atividades gratuitas de bem-estar antes do show.
